sábado, 13 de setembro de 2008

Espetáculo!


Disseram que eu não tenho presença cênica
Chamara-me de canastrão, de cara-de-pau!

Tiraram de mim o texto e o deram a outro rapaz
Expulsaram-me a pontapés do palco iluminado
Não ofereci resistência! Saí seco e resignado!

Não sou ator com fibra suficiente para esta produção
Foi o que disse a atriz, aplaudida pelos coadjuvantes!
Em mim, não há nenhuma beleza que se possa apreciar
E o sangue vermelho não cai bem sobre a pele morena!

Sim, foi o que disseram os falsos pastores de plantão
No que foram aplaudidos pela figurinista mordaz!

Com agulhas perversas costuram-me a Boca Revolucionária!
Amordaçado estou! Não posso mais proferir verdades e poemas!

Mas, num perfeito insight, lembro-me das praças e ruas
Onde jazem os deserdados, ávidos pelo Novo Amanhecer!

Um anjo toca a minha boca, cai a mordaça!
De longe, vejo a cidade sedenta, faminta e só!

Aos famintos lanço minhas palavras como semente em terra fértil!
Desperto a ira da vanguarda ameaçada e volto ao jardim!

Com um beijo você trai o Filho do Homem!!!

Arrastaram-me para fora da cidade que enxerga com um olho só!
A cena das cenas: Sangra o Corpo! O Universo Treme de Dor!!!


No Terceiro Dia, Eu Sou a História: Começo, Meio e Fim!!!
A Cortina do Templo Foi Rasgada! Os Filhos Já Podem Voltar!!!

E Todo o Poder Cênico Me Foi Dado - Hoje e Sempre!
Entre você também! As luzes do palco já estão acesas!!!



Paulo Neuman

Espelhos Noturnos


A noite não o torna incapaz de refletir
É e sempre será um objeto reflexivo
Você pensa ter divorciado do mundo

Vou-me embora para Paris e lá está você
Como a dizer que o mundo é pequeno
Mudo-me pro Recife, feito assombração
Lá está você - performático - ácido

Dor no estômago - devora-me outra vez
E a vida segue sempre em frente - dane-se!
Seguramente você é uma assombração
Não sei mais de nenhuma reza eficaz

A cidade traz-me novidades medievais
Bruxos e inquisidores encontram-se na praça
Não há o sol da meia-noite e a atriz esquece o texto
Entro em êxtase e roubo a cena! Puta que o pariu!

Urubus rondam o cadáver - ávidos por carniça
O Bêbado atiça o cão famélico e sádico e mordaz
O sangue jorra pela praça - final apoteótico!

Caótico? Sim - é tudo muito confuso!

Paulo Neuman

Seres Urbanos

Somos e estamos e queremos: concreto e vidro
Insisto em tirar a roupa para você me ver amanhã
No centro de metrópole - tomamos aquele café
O chá: pode ser de hortelã ou mate ou erva-doce

Cogumelos gigantes atormentam minha existência!

Na escada do Teatro Municipal trocamos confidências
Confio em você e sei que jamais me trairá amanhã!
O que passou já passou! Agora, de mãos dadas!

Sempre juntos, rumo a estação de trem!
Vem, meu amor - nada se acabou!

Tudo continua como antes e a cidade chora com um olho só!
Paulo Neeuman

Eu e a Fogueirinha


Dentre todas as músicas que já ouvi e dancei
Não me lembro de nenhuma! Tudo passa depressa!

Nesta vida, só me lembro de você: céu azul e distante!
Carneirinhos de algodão e tantas estrelas cadentes!

Quase tudo se torna tão inútil, enfadonho, pesado!
Crianças somem das praças e velhos não jogam mais dama!

O drama que já tinha três atos - agora são oito!
Não há mais os biscoitos feitos pela tia Maria

As frutas apodrecem no centro da mesa pesado-escura
Desidratados, morrem todos os meus animais de estimação!

Morro de sono! Queria poder dormir vinte anos!
Tenho que permanecer acordado! De olhos bem abertos!

Decerto, eu não sou lá muito feliz!
, nesta cidade não tem pracinha da matriz!
Nem Festa de São João! Eu sou um babão?!

Traga-me um cesto de limão! Vou desafiar a dor!

Quero viajar para o interior do país!
Já não tenho mais a velha mochila!

Não tenha a mesma idade que tinha quando aqui cheguei!

Não tenho mais o par de tênis surrado - azul e branco
Não estou agüentando o tranco - fraco que sou!

Agora, a vida parece um trator que, com sadismo
Passa por cima de mim, pobre homem que sou!
Eu, ovelha sem pastor! Chame o médico! Desfaleço!

Acho que vou morrer de tanta dor no pescoço
Na alma, nas costas, nos dedos, nos sonhos, nos pés!

Quero berrar feito bicho desmamado
Não agüento mais a dor da existência
Todos zombam de mim, xingando-me de babão!

Traga-me um cesto de limão! Vou desafiar a dor!

Quero viajar pro interior do país
Traga-me um píris de veneno mortal!

As frutas apodrecem no centro da mesa
O cachorro e o gato já morreram secos!

Mas se Deus quiser, eu não vou morrer agora! Não vou!
Antes que chegue a hora de cantar junto à fogueirinha de papel!

Paulo Neuman



Elementos

Somos elementos de diferentes conjuntos
Juntos, não chegaremos ao canto determinado
Divórcio é tudo o que podemos ser amanhã
Canto aquela canção e me despeço de você

Gosto da poesia de Manoel Bandeira
Porque conheço minhas perdas e fracassos
Trago na manga a carta definitiva de ontem
Não dou bandeira - não estou apaixonado!

Nadei para não morrer na praia deserta
Volto para a metrópole com angústias urbanas
Sábado haverá sarau no bar de Rosa Maria
Contudo, trancar-me-ei naquela retrospectiva!

Enquanto lá em Trindade ninguém dorme nem hoje nem nunca...

Ontem eu era o cineasta em busca do panorâmico
A musa disse-me não mais uma vez e nada é novo
Os atores sentem fome e eu ofereço "nada" a todos
Eu não quis fazer-me de vítima - dancei forró!

Encomendei Rosas Vermelhas ao ontem-insano!
Agora já não amo mais ninguém - enganado fui!

Paguei pelas Rosas Vermelhas e nada recebi!

Nesta altura do drama, eu quero apenas desfalecer
Numa perfeita desconstrução de mim mesmo estilizado
Em sonhos, mudo de endereço e viajo feliz outra vez!

Bem que eu quis beber apenas o passado remoto
Mas a taça já estava sobre a mesa arrumada e definitiva!

Garçons circulam pela sala suspeita...
Já é madrugada e nada de concreto acontece...

Apenas um baile à fantasia:
Todos descaradamente mascarados!
Paulo Neuman

VERTIGEM





No espelho vejo a minha cara e finidade
E tudo é fugaz como a casca de um ovo!

Uma ruga aqui, outra ali! Olhos vermelhos! Boca seca!

Que eu quebre este espelho indiscreto!
Sádico, decreta o fim de todas as minhas vaidades e mentiras!
Arrasta-me a lugares onde não quero chegar acordado! Merda!

Em todos os lugares, sagrados ou profanos, há espelhos
No banheiro, na sala de espera - onde o tempo não passa!
Na sala de jantar-onde não me é oferecido o alimento!

Sento-me na velha cadeira, em frente ao novo espelho
Nada é novidade do outro lado! Na cara pálida, ainda o medo!

Quero negar todos os meus sentidos e transes e pesadelos
Odeio o meu cheiro! Assusta-me tudo o que o espelho mostra!

Quisera eu poder provar um pedaço daquela torta de limão,
Beber um pouco de licor de tangerina e partir quase feliz!

Encharco-me de perfume para fugir de quem sou amanhã
Perco o rumo e não mais me encontro lúcido ou valente
Sonhei que todos os meus dentes foram quebrados por você!

Agora, trago nas mãos trêmulas uma xícara de café forte
Tudo em mim começa a ferver como no Carnaval de ontem!

Mas, em pouco tempo, percebo de novo as cinzas
Nas rugas da minha cara, descubro a história!

A idéia do Movimento agora me parece tão distante!
Tenho medos infantis e necessidades provincianas
Enquanto a metrópole ferve em ritmos ultrapesados!

Sinto vontade de proferir palavrões e poemas
Contra meus inimigos que se vestem de santo
Todos de branco - como em primeira-comunhão!

Enquanto a cidade ferve em sons e ritmos ultrapesados
Da janela do meu quarto, olho para o passado-presente-futuro
Mas nada me é revelado de concreto! Tudo é apenas vertigem!

Ainda assim, eu sigo em frente – com as juras de amor eterno!
E, neste Inferno Existencial, espero o Paraíso que insiste em não chegar!

Paulo Neuman

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Paz e Amor!

Agora as poesias não carecem mais de títulos. As minhas não precisam. Não preciso mais obedecer a nenhuma estética, pois o meu discurso/poesia há de preservar, em seu interior, uma determinada ética. Eu não desprezo ninguém – estaria a desprezar a mim mesmo. Reconheço as minhas culpas e busco perdoar-me, não por cinismo, mas para fugir da autoflagelação, pois o meu corpo precisa está inteiro para o Grande Momento. Eu não sei que Grande Momento é esse, mas é aí que mora a minha esperança. Agora, cansado de tudo e de mim mesmo, adormeço e, em meus sonhos, vejo uma criança de tranças ruivas a correr por inusitado campo, em busca da derradeira flor! Desconhecido perfume invade o meu corpo, purificando-me de todas as culpas. Preparado estou para o encontro com os amigos. Amigos sem rostos: são como mentes sem corpos. É a minha vida que, comovido, eu retomo! Ouço um samba de roda e uma alegria ultracósmica invade a minha existência! Neste momento compreendo que, dentro de mim mesmo, está a vida que sempre sonhei. Não preciso mais de nada, apenas de você que, agora, é uma mente sem corpo!


Eu preciso escrever uma carta ao Universo, falando-lhe do meu insucesso, das tantas vezes que eu permiti que o líquido do inferno me transformasse em um louco improdutivo, causando grandes dores em meu místico corpo. Causando dores em outros corpos que, de certa forma, estão ligados ao meu corpo. Quero pedi perdão a esses corpos. Quero pedi perdão ao meu próprio corpo. Acima de tudo, quero que o Universo me perdoe. Creio na força do perdão e sem ele, o perdão, estaríamos todos condenados a precipícios irreversíveis! Eu, há muito, já teria sido tragado por um mar, cujas águas são o tal líquido do inferno que, ao invadir a minha corrente sanguínea, domina, feito um demônio crudelíssimo, a minha mente e eu esqueço que sou um poeta! Ando, como bicho no cio, por becos infectos e tenho percepções reais do inferno! Sim, nesses momentos infelizes, afasto-me de tudo o que é belo e sou o mais sujo de todos os homens, porque deixo a lucidez e a lucidez é a maior riqueza de um homem, de uma mulher, de uma criança, até mesmo dos bichos! "O que tem que ser tem muita força" - É a vida que
sempre segui seu curso imperioso – mas eu reconheço a minha extrema irresponsabilidade para com meus Projetos de Luz, uma completa falta de pensamento lógico, uma absurda entrega a emoções incoerentes com o tempo e o espaço onde vivo: o que me torna vulnerável ao tal líquido do inferno! Mas ainda tenho forças, ainda tenho sonhos, ainda tenho um amigo (eu acho) e posso desconstruir-me por inteiro, fazendo-me outro por meio da minha poesia que, em verdade, é a minha Redenção, a minha Ressurreição! A Sublimação disso tudo! Quando falo Poesia não me refiro, necessariamente, a “escritos” – falo, sobretudo, de Projeto de Vida, da busca do Perfume; pois, como disse o Poeta: “Gente é p’ra brilhar, não p’ra morrer de fome!”.

Paulo Neuman

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eu - ainda otimista!




Agradeço a todos que, mesmo com as minhas fragilidades/fraquezas - ainda são meus amigos - crendo que Novos Tempos Virão! Agradeço à minha família pelo Grande Amor que sempre me deu e peço perdão a todos aqueles que, mesmo não querendo, eu termino ferindo! Amo muito todos vocês, parentes e possíveis amigos! Ainda quero ser uma pessoa melhor, vencendo todas as minhas debilidades! Por favor, acreditem em mim - pois o Verdadeiro Amor Pode Todos as Coisas!


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Verdades Minhas, Impertinentes, Eu Sei!

A Vida, para qualquer mortal, é apenas algo insuportável. Todos nos deixamos submeter às Leis de Mercado, tão-somente porque o dinheiro compra todos os ópios e são eles, os ópios, que nos ajudam a continuar nesta estrada cheia de poeira – uma estrada que, já sabemos, não vai dar em nada. Não se iluda! Quando digo que tenho por você imenso apreço, quero dizer que gosto de entrar em transe – gosto de viagens psicodélicas! Você é mais uma espécie de ópio que eu descobri nos cinzentos becos da metrópole, onde vivo "Esperando Godot", pois em tudo sou livre, exceto no que se refere às leis de mercado!
Paulo Neuman


Outras Mulheres-Joanas!


Outra Mulher-Joana na Bela Vista?


Outra Mulher-Joana no Campo Limpo?


Dizem que por trás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher, talvez por isso existam tão poucos “grandes homens”, uma vez que a grande maioria das mulheres ainda se dão por satisfeitas no papel que historicamente lhes tem sido reservado! Mergulhadas no clássico universo perigosamente cor de rosa - rosa choque, transformam seus homens em meros provedores, em falsos príncipes encantados! Falsos Príncipes, sim - pois todos já sabemos que príncipes encantados não existem: todos os homens, feios e bonitos, vencidos pelo peso brutal do papel que lhes foi reservado, viram lobisomens quando é noite de lua cheia! Bem-aventuradas são as poucas mulheres que têm descoberto que o tal príncipe nunca existiu! Felizes são aquelas mulheres que têm podido ouvir vozes vindas do além – vozes que as transformam em sujeitas de suas próprias histórias, ajudando, assim, a construir uma sociedade verdadeiramente civilizada, livre dos contos de fada! Uma sociedade onde homens e mulheres, juntos, comam do mesmo pão e bebam do mesmo vinho!

JARDINS DAS MENTIRAS

Se um poeta eu fosse, falaria dessas mulheres
São todas parecidíssimas - meras cópias
De guarda-sol cor de rosa, correm pelos jardins
Colhem uma flor aqui, outra ali, batem palmas!

Jogam beijos pretensiosos ao vento desembestado!

Os beija-flores, atormentados, saem de cena - do jardim
Assim que percebem tais presenças! Eles são tão pequenos!

Não posso enxergar Alice entre tais mulheres misteriosas
Ociosa é a vida para que corram pelos jardins das mentiras!

Se um poeta eu fosse, buscaria entender essas mulheres
Seres alados - arrastam suas presas a lugares indecifráveis!

Quintais de infância - castelos que transcendem o tempo
Sempre arrastando seus longos vestidos de fino tecido cor de rosa!

Definitivamente, não sou poeta! Difícil é falar dessas mulheres!
Seres alados a nos arrastar para quintais suspensos e infinitos!

Penso em Alice, muito além do espelho! Dormindo feito anjo!
Lindíssima e necessária e apaixonada e utópica e mulher e irmã!

Que nada! Eu não sou poeta! Nada sei falar da mulher!
Ser alado que nos transfere para outra dimensão lilás
Aliás, nenhuma mulher é igual à outra cópia idêntica!


Coração de galinha, de leoa, vaca sagrada e profana
Ana, Maria, Joana, Angélica, Mariana, Lúcia, Luana
Seres alados que nos levam a lugares ditos sagrados!

Vou-me embora deste jardim esquisito! Aqui não está a doce Alice!
Esqueço os jardins e me caso com Alice Maria em maio!

Da janela do meu quarto, abraçado a Alice, vemos nossa filha seguir rumo ao jardim!

Eu e Alice, muito além do Espelho Mágico
Nunca houve uma mulher como Alice!

Luana, Joana, Madalena, Maria, Luciana, Catarina, Lídia
Cláudia, Lúcia, Camila, Fátima, Glória, Esmeralda, Lunai
Capitu, Débora, Marina, Luzia, Mariana, Ana, Vitória

Beatriz, Luísa, Carolina, Antônia, Conceição, Tânia, Raimunda
Diana, Patrícia, Elis, Leila, Loreta, Lupina, Laura, Maria Clara
Marieta, Rafaela, Eva, Estela, Airam, Zenilda, Vanessa, Roberta
Joaquina, Antonieta, Regina, Ivana, Josefina, Ana Carolina!

Ainda são todas muito meninas
Em seus jardins suspensos!

Textos Paulo Neuman/Fotos Adrebal Lírio

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Perguntas Outras!


Paulo, para você, o que é a Vida?
A Vida é um perigoso e, às vezes, eloquentemente divertido louco-beco sem saída! Uma fascinante e imoral viela – cachaça docemente perversa que desce goela adentro, sem deixar, sequer, nenhum rastro de prazer ou não-prazer! Trago nas cicatrizes/tatuagens do meu corpo/espírito o mapa do inferno – a anatomia da dor! Não preciso mais mergulhar nos sofisticados tratados filosóficos em busca das tais respostas – pois eu mesmo só a tal metafísica e é em mim, este paupérrimo mortal, que se dá o fascinante e doloroso mistério da existência: Vida, Morte e Ressurreição!
Nasci incrivelmente cego – nunca fui capaz de enxergar um palmo adiante do meu nariz cheio de meleca! Não conheço o discernimento! Nunca conheci o tal do bom senso! "Só sei que nada sei" - na maioria das vezes que tento conhecer-me, fico sabendo que sou nada! Noutras, tenho medo do que me mostra o espelho sádico! Num processo, sofisticadamente esquizofrênico, construo um Universo Paralelo repleto de imagens perigosamente coloridas - Cores Vivas Pedro Almodóvar – numa insana tentativa de vencer a escuridão existencial, pois, para mim, estar na vida é, inexoravelmente, estar também já dentro da morte! Sorte mesmo têm aqueles que nunca haverão de entrar neste mundo. Quanto a mim, só me resta aprender a criar Universos Paralelos dentro dessa Imensa Escuridão, pois a vida é mesmo um Ensaio sobre a Cegueira e nem mesmo o Cinema haverá de trazer a tão decantada sublimação! Vou seguindo repetindo a célebre e banal frase: “Ser ou Não Ser – Eis a Questão” – sabendo que Hamlet não conhece mais nada que não seja ele próprio, porque Hamlet é docemente Narciso! Condenado estou a ser quem sempre fui e essa consciência me traz a libertação em meio às dores e o prazer do ser e do não querer ser – ainda assim, com tanta ambivalência, vou descobrindo o que o poeta há muito já disse: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Agora, já ciente de que a vida é mesmo assim, espero não ser mais considerado culpado pelo fim trágico de
Ofélia!
(Foto Adrebal Lírio - Texto Paulo Neuman)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sublimação Inútil


Nunca Mais: Paradoxos
Depois de TUDO - sinto-me tão desgraçado, tão tolo, tão contraditório - sinto-me o mais infeliz e o mais alegre e o mais bêbado e o mais radiante de todos os homens - sei que sou louco e não quero que ninguém repita o que todo o mundo já sabe - quero os poetas malditos e quero um porão para viver em paz - quero você que a vida me tirou para sempre e quero, também, mais um Carnaval daqueles que só os loucos conhecem. Quero gritar até morrer e partir para uma cidade que não é cidade, mas eu amo São Paulo e amo todos que andam por aí sem maiores ambições - mas é necessário o porão para aquecer o grupo - junte-se a nós, caramba! Por que você não chega logo? Sua ausência é o que nos angustia! Onde você está? Iremos buscá-lo, seja no Paraisópoles ou no Morumbi! Não podemos partir para o Porão sem você!

Paulo Neuman

Fotos Adrebal Lírio

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Crenças Outras!

Em que eu acredito? Eu acredito na Declaração Universal dos Direitos Humanos! Acredito, também, como me ensinou Tom Zé, que, entre a Augusta e a Angélica, eu haverei de encontrar a Consolação! Eu acredito em Hamlet, o Angustiado Príncipe da Dinamarca! Acredito que Eu e o Pai podemos ser Um! E, por fim, acredito que muitos de nós já estamos na Idade do Perfume: Paradoxos Absolutos!
Paulo Neuman


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Outros Becos!






Becos, Bares, Avenidas, Todos os Lugares!

Ruas, Avenidas, Prédios, Devaneios do Arquiteto!
Outros Rios e Riachos que nos trazem dependência!

Pendências Existenciais a serem resolvidas!

Independência ou Morte - que a sorte venha!
Dependências Químicas! Memórias Biológicas!

Creio que não há mais lenha a ser queimada!
A brasa virou carvão e o chão é asfalto!

Trato de manter vivas todas as possibilidades!
Quem Sabe?! Todas as Tardes, Todas as Manhãs...Tudo!

Todos os Tempos já são, agora, Sonhos de Uma Noite de Inverno!
Paulo Neuman

A História Somos Todos Nós!


Que as histórias de quaisquer brasileiros possam fundir-se com a própria História do Brasil a ser reescrita conjuntamente pelos cidadãos brasileiros – sujeitos de suas próprias histórias! Que tenhamos uma história de fato orgânica – não mais uma lenda cheia de falsos heróis! Mas para que tal SONHO torne-se realidade, faz-se necessário a existência de mecanismos que visem equipar nosso Povo, transformando-o num Povo capaz de reinventar sua Pátria - onde todos, quem quer que seja, tenham voz – experimentando, assim, uma Real Cidadania! Que cada Brasileiro possa sentir-se parte integrante deste imenso mosaico chamado Brasil – isso sim seria uma verdadeira experiência democrática!
Paulo Neuman
mocrática!


terça-feira, 5 de agosto de 2008

Outros Objetos Tridimensionais





Cão de Rua e o Estandarte da Agonia!

Não são Bárbaros, porque já são Doces!
Assim como uma Cereja Maduro-Vermelha!

Todos os Espelhos Foram Violentamente Arrebentados
Não São mais Narcisos Deslumbrado-Aquáticos!

Agora, tão-somente Mergulhos Dionisíacos e Vermelhos!
Quando Emergem com Feridas Outras, evidentemente!
Mas, também, com todas as Respostas Necessárias!

As Feridas
agora são Tatuagens Tribais e Prova de Coragem!
Hoje, feito Meninos Levados, brincam de Arnaldo Antunes:
Fabricam Poemas Tridimensionais pelos Becos da Metrópole!
Paulo Neuman

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Outras Perguntas


- Paulo, para você, o que é o "Fazer Poético"?

- Para mim, fazer Poesia é Correr Riscos: Riscos Semânticos e Morfológicos e Sintáticos e Existenciais e Risco de Vida! A Matéria-Prima utilizada na fabricação da Minha Poesia é a Minha Ignorância em Estado Bruto - Uma Ignorância Que Não Conhece o Caminho da Lapidação!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Minicontos Outros (Paulo Neuman)

MAMÃE DOLORES
Agora que casa lotérica também é banco, as filas são quilométricas, onde se pode ouvir de tudo um pouco! Uma senhora falava ao filho, um moleque com cara de CDF, óculos enormes, o rosto cheio de espinhas - deve ter uns dez anos, suponho! Sua querida mamãe lhe falava de como a grana anda curta e que ele deveria esquecer essa ”idéia pródiga” de ir para o Hopi-Hari – pois ela não tem dinheiro. Também alertava o moloque para que ele não abra a boca se, no domingo, forem (ele e a mãe) à casa da Tia Célia - o moleque não pode jamais falar “daquele assunto” que só os dois sabem – sob pena de levar um "couro" ali mesmo na casa da Tia Célia! Na parede da Lotérica há um retrato de Dolores Duran! O Menino, indiferente ao alerta da mãe, de olhos fixos no retrato, diz: Veja, mãe: - Aquela Cantora se parece com a senhora! Era uma foto de Dolores Duran num Programa de Rádio! Além de eu ficar bastante curioso sobre o que o moleque não podia falar na casa da tal Tia Célia, também me intriga muito aquela fotografia de Dolores Duran numa Casa Lotérica que agora também é Banco e as Filas São Quilométricas!

PARADOXOS ANGÉLICOS

Agora, ele já tem 28 anos. Não é Capitu, mas tem os “olhos de ressaca”, sim! O Pai foi embora quando ele ainda era um bebê. A mulher dita fatal e armada até os dentes mordeu a língua do pai do menino: Derradeiro Beijo! Deus queira que ele, o Pai, no céu esteja! Se o Pai não tivesse sucumbido ao decote da mulher que carrega na mão direita a Foice, hoje o Menino-Anjo-Pornográfico seria um Anjo de Outra Natureza – Tudo seria diferente: O Menino não se colocaria no mundo como Mercadoria, ensinando a quem queira aprender que agora quase tudo já é Bem de Consumo – Divaga o poeta Utópico que o vê passar viçoso e esguio e camisa jogada no ombro e o cós da Cueca Kalvin Klein à mostra e meio ingênuo - mas ele, o Anjo Pornográfico, diz-se Mercenário! Talvez seja ele, o Anjo Pornográfico, um "Bom Complexo de Édipo Mal Resolvido" - Na casa do Anjo, todos: mãe, irmãos e até seus cães acreditam ou fingem acreditar que o Anjo não é um Anjo Pornográfico – e o poeta que o observa passar se pergunta: - Como pode um Anjo Ser Pornográfico, se os Anjos Não Têm Sexo?!

São Paulo Cainã

Foto Adrebal Lírio

São Paulo, Monóxido de Carbono

São Paulo, Sampa, Paulicéia Desvairada!

Derrama Monóxido de Carbono em Nossos Sonhos-de-cada-dia!


Em nossas veias já não corre mais sangue!

Agora, monóxido de carbono!

Ainda assim,

haveremos

de te amar até o fim, Querida Sampa!


Em nossas veias não corre sangue! Agora, monóxido de carbono! Ainda assim, não te abandono, nem hoje nem nunca, Paulicéia!


Somos TODOS Monóxidos de Carbono!

Vazio Concreto!


Meninos e Meninas - Seres Urbanos, Filhos do Monóxido de Carbono!

Meninos e Meninas que Bebemos Tuas Bienais Envenenadas!


Espaço Vazio, Um Novo Conceito em Arquitetura!



Somos todos São Paulo, Somos Brava Gente - Desbravamos todos os dias a Selva de Pedra!


Espaço Vazio e Vazio e Vazio e Eu e Nós!
É o Vazio - Nele eu Acredito!



Em teu útero, escondidas, ainda há pérolas, Gente de todos os cantos, sotaques e senhas!


Sonho-Concreto, São Paulo, Sampa, Paulicéia Desvairada!

Poesia feita de utopias, pesadelos e ferro, pedra e fé!


(Paulo Neuman)